“ Fui tornando-me um prisioneiro de medos absurdos.
Tinha que repetir meus passos, começar cada movimento
e voltar novamente.Sabia que aquilo tudo era ridículo
e deplorava todo o tempo perdido,mas era inútil...
Os rituais sempre venciam”
Tinha que repetir meus passos, começar cada movimento
e voltar novamente.Sabia que aquilo tudo era ridículo
e deplorava todo o tempo perdido,mas era inútil...
Os rituais sempre venciam”
R.M., 36 anos, Advogado
I. INTRODUÇÃO:
O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é uma doença de evolução crônica ou recorrente, caracterizada pela presença de Obsessões e Compulsões.
Obsessões são pensamentos, idéias, impulsos e imagens mentais recorrentes, intrusivos e vivenciados como desagradáveis e como próprios do individuo, ocasionando ansiedade ou mal estar, um estado de angústia patológica, que consomem muito tempo e interferem negativamente nos relacionamentos e atividades do portador.
Compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos, realizados para diminuir a angústia causada pelas obsessões, obedecendo a regras rígidas, forçando o individuo a agir contra sua vontade e podem ter a finalidade a evitação de uma situação temida.
Embora existam descrições deste transtorno desde o século dezoito, ele ficou abandonado pelos profissionais de saúde mental e meios de comunicação até recentemente, quando se acentuaram os estudos e pesquisas, principalmente nas áreas da neurociência e da psicofarmacologia, além de uma maior divulgação dos sintomas do TOC na rede social. Personalidades famosas no meio artístico, como o cantor Roberto Carlos e a atriz Luciana Vendramini, vieram à público falar abertamente do TOC e assumiram serem portadores desse transtorno. O filme “ Melhor é Impossível” “, vencedor de 2 Oscars, no qual o protagonista apresenta o transtorno, também teve sua importância e será alvo de estudo mais aprofundado nesse trabalho.
Apesar dessa maior divulgação do TOC como doença, alguns estudos mostram que, em média, há um intervalo de 7 anos desde o início da sintomatologia e a procura de ajuda, freqüentemente determinada por familiares e amigos que já não suportam o que esta acontecendo com o portador. Ele tenta manter em segredo seu transtorno e tem consciência da falta de sentido das obsessões e compulsões, procurando se calar até das pessoas com quem convive intimamente.
Ocupa o quarto lugar entre os transtornos psiquiátricos mais comuns, com incidência de 2% na população, e é colocado pela Organização Mundial de Saúde entre as 10 condições médicas, de todas as especialidades, mais incapacitantes para os indivíduos atingidos. O início dos sintomas aparece com maior freqüência na adolescência e no adulto jovem, sendo raro na infância. Surgem mais precocemente nos homens, embora, em geral, aceita-se que o TOC comprometa igualmente ambos os sexos.
Enquanto as obsessões e compulsões são o sine qua non do Transtorno Obsessivo Compulsivo, pensamentos obsessivos e rituais compulsivos são vistos em várias outras doenças, fazendo surgir o conceito de “Espectro Obsessivo Compulsivo”. Essas doenças são caracterizadas por distorções do pensamento e comportamentos estereotipados ou ritualísticos, tendo como exemplos as seguintes patologias: transtorno dismórfico corporal, anorexia nervosa, hipocondria, síndrome de Tourette, compulsões sexuais, dependência química, jogo patológico,tricotilomania e outras. Apesar das tentativas psiquiátricas serem primariamente de classificar estes transtornos em categorias distintas, sabe-se que aspectos dimensionais do Espectro Obsessivo Compulsivo estão presentes. Diante desse Espectro e em função das semelhanças clínicas, variando apenas os objetos, pensamentos e atitudes, conjuntamente com os resultados terapêuticos, surge em vários países do mundo uma nova especialidade médica chamada “Medicina da Adicção” . Em 1999, no Estado da Califórnia- EUA, ocorre a fundação da Sociedade Internacional da Medicina da Adicção ( ISAM ), com a participação de representantes de mais de 50 países do mundo. Tal especialidade surge, exatamente, para englobar todas as patologias do Espectro Obsessivo Compulsivo, procurando aprimorar e investir nas pesquisas, tanto clínicas como epidemiológicas, na tentativa de melhorar os baixos índices de sucessos terapêuticos. O termo adicção ou mais especificamente adicto significa escravo, oriundo do latim- “adictum” que se traduz como “escravo por dívida”, caracterizando assim os portadores de patologias da área da Medicina da Adicção, como indivíduos aprisionados dentro dos seus rituais e pensamentos obsessivos, tornando-os reféns de si próprio.
Na primeira parte do trabalho serão relatados os critérios diagnósticos do TOC, os principais diagnósticos diferenciais seguido de uma leitura Junguiana dessa patologia. Dentro da riqueza simbólica existente tanto no pensamento mítico quanto na linguagem cinematográfica, serão analisados o Mito de Sísifo e o filme Melhor é Impossível.
II- CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DO TOC:
1) A classificação internacional das doenças da Organização Mundial de Saúde-OMS, coloca o TOC junto aos “Transtornos neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes” e recomenda para seu diagnóstico-CID-10-(F42):
Os sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos devem estar presentes na maioria dos dias por pelo menos duas semanas consecutivas e ser fonte de angústia ou de interferência com as atividades.
Características:
- Os sintomas devem ser reconhecidos como pensamentos ou impulsos do próprio individuo.
- Deve haver pelo menos um pensamento ou ato que ainda é resistido, sem sucesso,ainda que possam estar presentes outros aos quais o paciente não resiste mais.
- O pensamento de execução do ato não deve ser em si mesmo prazeroso (o simples alívio de tensão ou ansiedade não é, neste sentido, considerado como prazer).
- Os pensamentos, imagens ou impulsos devem ser desagradavelmente repetitivos.
2) O Manual Estatístico e Diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana-DSM-IV, considera o TOC no grupo dos Transtornos de ansiedade e estabelece que o diagnóstico deve ser feito com os seguintes critérios ( 300.3 ) :
A) Presença de obsessões ou compulsões. ( obs: já definidos anteriormente).
B) Em algum ponto do curso do transtorno a pessoa reconheceu que as compulsões são excessivas ou irrazoáveis. Nota: isso não se aplica a crianças.
C) As obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, consomem tempo (mais que 1 hora ao dia) ou interferem significativamente com a rotina normal da pessoa, com o funcionamento ocupacional ou acadêmico, atividades ou relacionamentos sociais habituais do individuo.
D) Se um outro transtorno do eixo I esta presente e o conteúdo das obsessões e compulsões não esta restrito a ele (por ex: preocupação com ter uma doença grave na presença de Hipocondria; preocupação com a aparência na presença de Transtorno Dismórfico Corporal; etc)...).
E) A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamentos) ou a uma condição médica geral.
Especificar se:
Com Insight Pobre: se, na maior parte do tempo durante o episódio atual, o individuo não reconhece que as obsessões e compulsões são excessivas ou irracionais.
III- DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
Devido à complexidade da sintomatologia do TOC associado às diversas patologias do Espectro Obsessivo Compulsivo, a realização de um diagnóstico correto, torna-se um dos aspectos mais relevantes na pratica clínica.É importante mencionar que teremos avaliações diferenciadas, dependendo de qual leitura seja utilizada; psiquiátrica, psicanalítica Freudiana, no âmbito da medicina da adicção, da Psicologia Junguiana e outras.No momento, vou me ater a nosografia psiquiátrica e no próximo item descreverei a visão Junguiana.
A diferenciação entre TOC e um transtorno depressivo pode ser difícil, devido ao fato desses dois tipos de sintomas freqüentemente caminharem juntos. Em geral, os pacientes obsessivos admitem que as suas obsessões não são baseadas na realidade, enquanto os pacientes com depressão primária relacionam suas preocupações com a realidade. Sendo a depressão a complicação mais comum do TOC, é importante definir quais os sintomas que surgiram primeiro e diferenciar das depressões graves que freqüentemente apresentam sintomas obsessivos e são primárias. Essas evoluem com tristeza profunda, anedonia, delírios de ruína, transtornos do sono e ideação suicida.
O diagnóstico diferencial com a esquizofrenia e outros transtornos psicóticos também é de suma importância na implementação de uma terapêutica adequada e na avaliação do prognóstico. Alguns autores sugerem que a tradição de se considerar o TOC como uma neurose, tem levado a uma subvalorização de aspectos da síndrome que mais parecem psicóticos. A mudança de uma obsessão para um quadro delirante ocorre quando a resistência interna contra as idéias obsessivas é abandonada e o insight é perdido. Isso poderia ocorrer de duas formas; uma forma afetiva, quando o medo da contaminação é substituído por uma culpa delirante de que o paciente contaminou ou pode contaminar outras pessoas, e uma forma paranóide, quando dúvidas sobre haver cometido algum ato repreensível são substituídas pelo delírio de que o paciente estaria sendo perseguido por realmente haver cometido atos condenáveis.
O TOC deve ser diferenciado dos outros Transtornos de Ansiedade,alem das patologias do Espectro Obsessivo Compulsivo, que apresentam suas particularidades, embora não devendo ser descartada a hipótese da coexistência com o TOC. Embora o Transtorno de Personalidade Obsessiva Compulsiva e o TOC tenham nomes similares, as manifestações clínicas de ambos são bastante diferentes. O transtorno de personalidade não se caracteriza pela presença de obsessões ou compulsões , sendo que, ao invés disso, envolve um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle e deve iniciar-se nos primeiros anos da idade adulta.
IV- VISÃO JUNGUIANA:
Dentro de uma visão Junguiana e na perspectiva simbólica é importante situarmos o TOC lado a lado com o funcionamento normal da personalidade.
O conceito de Arquétipo de Jung demonstra ser útil em situar o TOC no Espectro Obsessivo Compulsivo e este, no desenvolvimento normal. Sendo o Arquétipo um padrão de funcionamento psicológico, cuja principal característica é a criatividade ele engloba o desenvolvimento normal e patológico, ele é o conceito ideal para ser ampliado junto com o conceito de símbolo para englobar também as três vertentes: a psicodinâmica, a neurológica e a psicofarmacológica na normalidade e na patologia.
O TOC é uma neurose e, na psicologia Junguiana, a neurose tem uma função de reorganização psíquica. A neurose “é uma tentativa de auto cura, bem como qualquer doença física também o é (...); é uma tentativa do sistema psíquico auto-regulador de reestruturar o equilíbrio, que em nada difere da função dos sonhos, sendo apenas mais drástica e pressionadora” ( Jung,18/1, 157).
Se os Arquétipos são os componentes universais da psique, podemos dizer que neles está ou que eles geram esse potencial auto-regulador. Nesse sentido, James Hillman utiliza-se de uma citação de Jung a fim de considerar a psicopatologia na sua dimensão Arquetípica para “reconhecer os próprios Deuses como patologizados, as infirmitas do Arquétipo”.
Daí Hillman conclui que a doença, enquanto Arquetípica, é universal e necessária: “Ao pressupor que o necessário é o que ocorre entre os Deuses, isto é, que os mitos descrevem padrões necessários, concluímos que as suas patologizações são necessárias, assim como as nossas são necessárias à mimese das deles. Uma vez que as infirmitas deles, são essenciais para uma configuração plena, segue-se que nossas patologias são necessárias à nossa completude”.
Conseqüentemente, podemos considerar que o Espectro Obsessivo Compulsivo tem um motivo para se fazer presente, e este motivo será, em última análise, a completude da pessoa que dele padece, ou seja, a individuação. Em outras palavras, esse potencial auto-regulador do Arquétipo opera através dos próprios sintomas (similia simililus curantur).
O que é central na perspectiva simbólica do TOC é a apresentação de um quadro sintomático muito mais exuberante que os quadros habituais rigidamente organizados e de dominância patriarcal. Tal fato, se deve primariamente, à debilidade da função Arquetípica e não a sua intensidade como pode parecer a primeira vista..
Existem diferenças nas características dos Espectros Histérico e Obsessivo Compulsivo ao nível neurológico e arquetípico; enquanto que o Arquétipo Matriarcal e o Espectro Histérico se expressam através do sistema endócrino e autônomo, o Arquétipo Patriarcal e o Espectro Obsessivo Compulsivo se expressam basicamente pelo sistema motivacional. No dinamismo patriarcal temos a amplificação neurológica, no hipotálamo, do sistema motivacional que liga a consciência à musculatura esquelética através de circuitos neuronais, que incluem os núcleos da base do cérebro.
O Arquétipo Patriarcal pelo fato de funcionar através da organização sistemática necessita da separação Eu-Outro, Consciente-Inconsciente muito bem delimitada, de tal maneira que encontra no sistema nervoso motivacional um tipo de funcionamento que lhe corresponde. A vivência rígida do Arquétipo Patriarcal se destaca como questão fundamental no TOC. O Eu age sobre a obsessão, volitivamente, através dos rituais, mesmo com a presença de defesas inconscientes. Um ritual para evitar sujeira pode ser muito ativo e ao mesmo tempo esconder, defensivamente, que essa sujeira se refere à sexualidade( Byington).
Os Arquétipos Matriarcal e Patriarcal não funcionam isoladamente, ficando claro que tanto no TOC como na Histeria existe um entrecruzamento dos mesmos, embora a predominância da patologização do Arquétipo Patriarcal esteja relacionada diretamente com todo o desenvolvimento dos sintomas no Espectro Obsessivo Compulsivo.
V- PENSAMENTO MÍTICO:-O MITO DE SÍSIFO.
A) RELATO DO MITO: Reflexões da versão de Albert Camus.
Os deuses tinham condenado Sísifo a empurrar sem descanso um rochedo até ao cume de uma montanha, de onde a pedra caía de novo, em conseqüência do seu peso. Tinham pensado, com alguma razão, que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.
A acreditar em Homero, Sísifo era o mais ajuizado e mais prudente dos mortais. No entanto, segundo outra tradição, tinha tendências para a profissão de bandido. Não vejo nisto a menor contradição. As opiniões diferem sobre os motivos que lhe valeram ser trabalhador inútil dos infernos. Censura-se-lhe, de início, certa leviandade para com os deuses. Revelou os segredos deles. Egina, filha de Asopo, foi raptada por Zeus. O pai espantou-se com esse desaparecimento e queixou-se dele a Sísifo. Este, que estava sabendo do rapto, propôs a Asopo contar-lhe o que sabia, com a condição de ele dar água à cidade de Corinto. Aos raios celestes, preferiu a bênção da água. Por tal foi castigado nos infernos. Homero conta-nos também que Sísifo havia acorrentado Tanatos. Hades não pôde suportar o espetáculo do seu império deserto e silencioso. Enviou os deuses da guerra, que soltaram Tanatos das mãos do seu vencedor.
Diz-se ainda que, estando Sísifo quase a morrer, quis, imprudentemente, pôr à prova o amor de sua mulher. Ordenou-lhe que lançasse o seu corpo, sem sepultura, para o meio da praça pública. Sísifo encontrou-se nos infernos. E aí, irritado com uma obediência tão contrária ao amor humano, obteve de Hades licença para voltar a terra e castigar a mulher. Mas, quando viu de novo o rosto deste mundo, sentiu inebriadamente a água e o sol, as pedras quentes e o mar, não quis regressar à sombra infernal. Os chamamentos, as cóleras e os avisos de nada serviram. Ainda viveu muitos anos diante da curva do golfo, do mar resplandecente e dos sorrisos da terra. Hermes veio pegar o audacioso pela gola e, roubando-o às alegrias, levou-o à força para os infernos, onde o seu rochedo já estava pronto.
Já todos compreenderam que Sísifo é o herói absurdo. É-o tanto pelas suas paixões como pelo seu tormento. O seu desprezo pelos deuses, o seu ódio à morte e a sua paixão pela vida valeram-lhe esse suplício indizível em que o seu ser se emprega em nada terminar. É o preço que é necessário pagar pelas paixões desta terra. Não nos dizem nada sobre Sísifo nos infernos. Os mitos são feitos para que a imaginação os anime. Neste, vê-se simplesmente todo o esforço de um corpo tenso, que se esforça por erguer a enorme pedra, rolá-la e ajudá-la a levar a cabo uma subida cem vezes recomeçada; vê-se o rosto crispado, a face colada à pedra, o socorro de um ombro que recebe o choque dessa massa coberta de barro, de um pé que a escora, os braços que de novo empurram, a segurança bem humana de duas mãos cheias de terra. No termo desse longo esforço, medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, a finalidade está atingida. Sísifo vê então a pedra resvalar em poucos instantes para esse mundo inferior de onde será preciso trazê-la de novo para os cumes. E desce outra vez à planície. É durante este regresso, esta pausa, que Sísifo me interessa. Um rosto que sofre tão perto das pedras já é, ele próprio, pedra! Vejo esse homem descer outra vez, com um andar pesado mais igual, para o tormento cujo fim nunca conhecerá. Essa hora que é como uma respiração e que regressa com tanta certeza como a sua desgraça, essa hora é a da consciência. Em cada um desses instantes em que ele abandona os cumes e se enterra a pouco e pouco nos covis dos deuses, Sísifo é superior ao seu destino. É mais forte do que o seu rochedo. Se este mito é trágico, é porque o seu herói é consciente. Onde estaria, com efeito, a sua tortura se a cada passo a esperança de conseguir o ajudasse? O operário de hoje trabalha todos os dias da sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico nos raros momentos em que ele se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão da sua miserável condição: é nela que ele pensa durante a sua descida. A clarividência que devia fazer o seu tormento consome ao mesmo tempo a sua vitória. Não há destino que não se transcenda pelo desprezo. Se a descida se faz assim, em certos dias, na dor, pode também se fazer na alegria. Esta palavra não é exagerada. Ainda imagino Sísifo voltando para o seu rochedo, e a dor estava no começo. Quando as imagens da terra se apegam de mais à lembrança, quando o chamamento da felicidade se torna demasiado premente, acontece que a tristeza se ergue no coração do homem: é a vitória do rochedo, é o próprio rochedo. O imenso infortúnio é pesado demais para se poder carregar. São as nossas noites de Gethsemani. Mas as verdades esmagadoras morrem quando são reconhecidas. Assim, Édipo obedece de início ao destino, sem o saber. A partir do momento em que sabe, a sua tragédia começa. Mas no mesmo instante, cego e desesperado, ele reconhece que o único elo que o prende ao mundo é a mão fresca de uma jovem. Uma frase desmedida ressoa então: “Apesar de tantas provações, a minha idade avançada e a grandeza da minha alma fazem-me achar que tudo está bem”.O Édipo de Sófocles, como o Kirilov de Dostoievsky, dá assim a fórmula da vitória absurda. A sabedoria antiga identifica-se com o heroísmo moderno.
Não descobrimos o absurdo sem nos sentirmos tentados a escrever um manual qualquer da felicidade. “O quê, por caminhos tão estreitos?...” Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. “Acho que tudo está bem”, diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe. O seu rochedo é a sua coisa. Da mesma maneira, quando o homem absurdo contempla o seu tormento, faz calar todos os ídolos. No universo subitamente entregue ao seu silêncio, erguem-se as vozes maravilhosas da terra. Chamamentos inconscientes e secretos, convites de todos os rostos, são o reverso necessário e o preço da vitória. Não há sol sem sombra e é preciso conhecer a noite. O homem absurdo diz sim e o seu esforço nunca mais cessará. Se há um destino pessoal, não há destino superior ou, pelo menos, só há um que ele julga fatal e desprezível. Quanto ao resto, ele sabe-se senhor dos seus dias. Nesse instante sutil em que o homem se volta para a sua vida, Sísifo, regressando ao seu rochedo, contempla essa seqüência de ações sem elo que se torna o seu destino, criado por ele, unido sob o olhar da sua memória, e selado em breve pela sua morte. Assim, persuadido da origem bem humana de tudo o que é humano, cego que deseja ver e que sabe que a noite não tem fim, está sempre em marcha. O rochedo ainda rola.
Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.
B) COMENTÁRIOS:
O mito é o exemplo da improdutividade do Transtorno Obsessivo Compulsivo; são indivíduos que consomem uma energia e um tempo enorme na repetição de seus rituais. O relato do mito na narrativa de Albert Camus, acentua tratar-se da representação da essência da condição humana. Controlar a natureza simbolicamente empurrando pedras montanha acima, que rolarão depois e serão outra vez empurradas por nós e algum dia por outros é uma forma de descrevermos o caminho da humanidade. Camus coloca, através do seu Homem Absurdo, toda sua indignação e revolta com um aspecto da existência humana, chegando a definir que o grande conflito seria se deveríamos ou não optar pelo suicídio. Para suportar seus questionamentos existenciais, Camus procurou através do mito de Sísifo fazer várias elaborações, projetando na consciência do mesmo pensamentos e insights pessoais até conseguir enxergar um Sísifo feliz diante do seu eterno sofrimento. Afinal, empurramos pedras montanha acima, sem nunca chegar a construir as montanhas. Como escreveu, em uma de suas músicas, o roqueiro Lulu Santos: “Assim caminha a humanidade com passos de formiga e sem vontade”.
Podemos denominar de Síndrome de Sísifo a um conjunto de comportamentos e de modos de raciocínio que levam as pessoas a repetirem, os mesmos hábitos, as mesmas tarefas, o mesmo modo de raciocinar, os mesmos procedimentos e as mesmas soluções, reiteradamente e até compulsivamente, sendo as pessoas levadas a defender tais comportamentos com argumentos lógicos que consideram comprovadamente certos e irrefutáveis - ainda assim, essas pessoas imaginam poder alcançar resultados diferentes, criativos e inovadores. Afinal, não há maior sinal de doença do que fazer a mesma coisa repetidamente e esperar, a cada vez,um resultado diferente.
A grande questão representada em toda história de Sísifo, se resume na dualidade e na contradição entre: enganar, ser desonesto, driblar a morte e o imprevisível, afrontar a figura de autoridade/paterna ou se submeter por toda eternidade a uma jornada cansativa, inócua e repetitiva. Não existe para Sísifo a opção da escolha. Após viver com criatividade e habilidade no enfrentamento das situações adversas; ao final, recebe o castigo eterno, aceita passivamente o seu destino.Sua criatividade tinha sido exemplarmente punida pelo poder de Zeus. Essa mesma contradição, vive-se atualmente no Brasil e no Mundo, onde a dualidade se apresenta entre ser os operários do regime totalitário econômico, imediatista e consumista, se contrapondo aos participantes desse mesmo regime, que demonstram através de condutas, profissionais e pessoais, atitudes antiéticas, sem respeito ao próximo e sem dar o devido valor à cidadania. É o retorno ao Khaos.
Para finalizar essas reflexões, gostaria de citar o saudoso colega Dr. Hélio Pellegrino: “Seja como for, a aventura humana é passagem, do tempo para a eternidade, ou da necessidade para a liberdade. O homem é, portanto, um Deus em construção, nunca Deus acabado. A exigência, consciente ou não, de ser Deus, perfeito e onipotente, acarreta sempre um agudo ódio e desprezo pela condição humana. É esta a posição filosófica do pensador absurdo, descrita por Camus no”Mito de Sísifo”. O pensador absurdo rejeita a razão humana, limitada e imperfeita, bem como a suprema injúria de uma morte possível. Com isto confessa sua arrogância e dá notícia da monstruosa impaciência que o corrói, cuja raiz é o sentimento de impotência, filha do isolamento.
Tenho que experimentar e assumir, até o último hausto, o fracasso do meu orgulho positivista, racionalista e individualista. Se a ele fico aprisionado, é porque, na verdade, não o esgotei, nem cheguei a supera-lo. Se, ao constatar sua falência, exijo ser Deus, como o faz, no fundo, o pensador absurdo, é porque pretendo manter-me na torre do meu esplêndido isolamento, sem carecer de nada. O homem só assume o clarão da divindade que o habita quando desiste de salvar-se sozinho. A salvação, ou é negócio de todos, ou de ninguém ““.
VI- O CINEMA E SUA LINGUAGEM- FILME: “Melhor é Impossível”.
A) SINOPSE
Dirigido por James L. Brooks. Com Jack Nicholson,
Helen Hunt, Greg Kinnear, Cuba Gooding Jr., Skeet
Ulrich, Shirley Knight, Yeardley Smith e Harold Ramis
.
Melvin Udall é um homem insuportável. Ele tem preconceito com relação a homossexuais, negros e mulheres. Ele é um obsessivo-compulsivo. Ele não
pensa duas vezes antes de ofender alguém. Ele é capaz de atirar um cachorrinho na lixeira de um prédio. Resumindo: é o típico personagem fácil de se odiar... se não fosse interpretado por Jack Nicholson.
Nas mãos de Nicholson, no entanto, ele se torna adorável e, por incrível que pareça, as coisas terríveis que ele faz (como chamar uma garçonete gordinha de ‘Mulher-Elefante’) acabam tornando-o ainda mais simpático aos nossos olhos. E, à medida em que o filme se desenvolve, o espectador vai esperando com prazer antecipado o momento em que o sujeito vai soltar outra de suas tiradas.
Melvin escreve sobre o universo feminino. Ele passa grande parte de seu dia em casa, escrevendo, saindo apenas para almoçar na mesma lanchonete todos os dias (tomando o devido cuidado para não pisar nas rachaduras da calçada). Lá, ele é sempre atendido pela mesma garçonete, Carol (Hunt), cujo filho de nove anos sofre de asma intensa. Curiosamente, Carol parece não se importar muito com as ofensas que dirige a todos (a não ser que envolva seu filho, claro), e até mesmo o defende para que o dono da lanchonete não o expulse dali. Além disso, Melvin tem que lidar com seu vizinho
Simon (Kinnear), um pintor gay que possui um cachorrinho insuportável para seus padrões de higiene.
A partir destes três personagens, o roteiro de Mark Andrus e James L. Brooks cria uma série de situações que mesclam momentos absolutamente cômicos com outros que se aproveitam do potencial sensível que a história oferece (principalmente aqueles envolvendo Carol e a doença do filho e a relação entre Simon e seus pais). Mas Melhor é
Impossível é muito mais do que um roteiro bem-escrito. Este é um filme que se apóia
totalmente nas interpretações de seus atores principais.
Primeiro Nicholson. Ele é, sem dúvida, a alma do filme. Nas mãos de qualquer outro ator, Melvin teria se tornado um ser insuportável. Mas James L. Brooks foi sábio ao escalar seu velho parceiro para o papel. Jack Nicholson não é apenas um bom ator. Mais importante do que isso: ao longo dos anos todos os fãs de cinema foram se habituando a ver este ator como um louco divertido. Assim sendo, não é preciso grande esforço para se estabelecer o ponto mais importante do filme: a doença de Melvin é divertida para o espectador, que se delicia com cada um dos detalhes de sua obsessão. No entanto, para o próprio Melvin sua “loucura” é o centro da própria doença. Ele não consegue aceitar o fato de que não tem controle sobre os próprios atos.
Quanto à Helen Hunt... bem, confesso que não estava esperando muita coisa, porém, seu trabalho em Melhor é Impossível me surpreendeu.Hunt é capaz de comover com a mesma facilidade com que nos faz rir. Ela é adorável, frágil... para falar a verdade, eu tive vontade de protegê-la. E me simpatizei com sua Carol de tal forma que as únicas cenas em que fiquei “irritado” com Nicholson foram aquelas nas quais ele dizia algo grosseiro para a moça. Um ótimo trabalho que mereceu o reconhecimento (e o Globo de Ouro) que obteve, sem dúvida.
Greg Kinnear também merece reconhecimento. Seu personagem oferece oportunidade para o ator trabalhar outras nuanças que não existiam no personagem de Rupert Everett de O Casamento do Meu Melhor Amigo (com quem Kinnear foi muito comparado).
No entanto, Melhor É Impossível também comete seus erros: Brooks não inova muito em cima deste material riquíssimo oferecido pela história de Mark Andrus. O caminho da “transformação” de Melvin é totalmente previsível: primeiro o filme mostra que ele odeia animais. Depois,homossexuais. Depois negros e, por fim, mulheres. Sua “recuperação” segue quase o mesmo caminho: ele passa a aceitar cães, depois passa a se entender com o marchand vivido por Cuba Gooding Jr., em seguida homossexuais e, por fim, mulheres. É quase como se o diretor quisesse nos convencer de que o caminho a ser seguido por Melvin dependesse de uma ordem “pré-estabelecida”,e talvez desconhecendo a gravidade de um transtorno Obsessivo Compulsivo e a complexidade do seu tratamento. Este filme é ‘certinho’ demais.
B) COMENTÁRIOS:
O grande poder transformador do cinema, ocorre na medida que estabelece um diálogo entre conteúdos imaginários que se encontram, ainda que inconscientes no imaginário coletivo. Este é permeado por mitos e símbolos que são plenamente compreendidos, pois fazem parte da psique de todos os homens. A arte é o espelho da vida que mostra aos homens a capacidade de sentirem emoções, observarem as forças e fraquezas da alma e as conseqüências nefastas de suas exaltações imaginativas. Enfim, temos no cinema um grande recurso terapêutico a ser utilizado.
No filme, a sintomatologia clássica do TOC é muito bem caracterizada através do protagonista, o personagem Melvin Udall. Tomemos alguns exemplos: trancar e abrir as fechaduras determinado número de vezes, lavar as mãos excessivamente e só utilizar o sabonete uma única vez, andar pela rua sem pisar nas rachaduras da calçada e por fim a criação de um verdadeiro ritual para conseguir fazer suas refeições. Qualquer possibilidade da não realização desses atos, ou mesmo um receio antecipado disso ocorrer geram grande ansiedade, uma angústia patológica, no personagem.
No roteiro de Mark Andrus e James L. Brooks (ao mesmo tempo diretor), a questão do TOC é bem caracterizada sintomatologicamente e tendo o ator Jack Nicholson como protagonista, caminha na direção de transformar a história de uma grande dor humana numa comédia romântica.O filme coloca em cena questões importantes, que levantam um tema, ainda existente, com intensidade na sociedade: os preconceitos. As mulheres, os negros, os homossexuais e os doentes mentais seriam os representantes apresentados no filme. Essa temática é abordada muito superficialmente, aliás como todos as outras relacionadas as dores da alma, tais como: doença infantil, condições financeiras precárias para utilização da medicina privada, desnudamento da precariedade do sistema público de saúde (mesmo nos EUA) e da violência existente, atualmente, nas grandes cidades.
O próprio preconceito que Melvin tem com os negros, homossexuais e mulheres, ele acaba vivenciando na própria pele ao ser expulso do restaurante sob aplausos de toda clientela. Ampliando essa visão, o filme traz a tona um dos maiores preconceitos existentes na nossa sociedade, aquele que envolve a doença mental.Em contraponto com os avanços conseguidos, em vários países (inclusive o Brasil) com a reforma psiquiátrica que simboliza o resgate da cidadania e da reinserção social, permanece no imaginário das pessoas, a idéia de que a “loucura” é perigosa e contagiante, necessitando assim de uma política de afastamento e exclusão social.
O TOC é colocado pela OMS entre as dez condições médicas (de todas as especialidades) mais incapacitantes para o individuo atingido. Devido a esse grau de sofrimento, caso o filme abordasse ou até mesmo revelasse os pensamentos obsessivos de Melvin e as conseqüências dos mesmos sem a proteção dos seus rituais, a narrativa sofreria uma transformação, isto é, de uma comédia romântica passaria para um drama psicológico existencial. De uma comédia leve, previsível e com final feliz, passaríamos a lidar com as angústias da alma humana, com o mundo das fantasias ilógicas e com as sérias dificuldades existentes no tratamento dos portadores de TOC, indivíduos tão sofridos, em isolamento social, enfim reféns de si próprio e da sua doença.
VII- CONCLUSÔES:
Finalizando as questões que envolvem o TOC, gostaria de trazer uma contribuição da Psicopatologia e da Antropologia através de dois autores Jaspers e Von Gebsattel. O segundo propõe que uma visão antropológica poderia permitir uma melhor compreensão do adoecer psíquico e impedir seu distanciamento das formas legítimas de expressão humana. Sabe-se que em alguns povos primitivos, o temor a uma “invocação dos mortos” levava-os a evitar toda e qualquer menção ao nome do defunto, inclusive palavras onde houvesse alguma assonância com o nome do morto. Um cadáver ou um guerreiro que houvesse matado inimigos tornava-se um objeto tabu, não podendo ser visto ou tocado até que fossem concluídos os rituais de purificação, sob pena de que terríveis castigos sobrenaturais se abateriam sobre um ocasional infrator, ou mesmo sobre a tribo inteira. “O homem primitivo”, desse modo, via-se diante de um mundo povoado de perigos e ameaças sobre naturais que lhe exigiam uma imediata e eficaz autoproteção, a qual, por sua vez, consistia na realização incessante e ordenada de rituais mágicos, minuciosos e complexos.Segundo Gebsattel, em seu livro de Antropologia Médica, o que é fascinante no encontro com o homem obsessivo é o inexplorado e,talvez, o inexplorável de sua diferente maneira de ser. A lucidez com que o obsessivo conhece seu transtorno sem, no entanto, chegar a dominá-lo, torna mais patente o paradoxo de sua existência e aumenta a inquietude do interesse psiquiátrico.
O doente obsessivo, segundo Jaspers, é perseguido por idéias que lhe parecem não só estranhas, mas insensatas, e das quais, no entanto, não pode livrar-se, como se correspondessem à verdade. Por exemplo, tem que fazer alguma coisa, sob pena de uma pessoa morrer, ou acontecer alguma desgraça, ou simplesmente ser acometido de ansiedade extrema. Estabelece uma forma especial de relação mágica com o mundo, como se o que ele faz ou pensa pudesse impedir ou provocar algum acontecimento. Elabora, então, seus pensamentos de modo a formar um sistema de significados, e seus atos, um sistema de cerimônias e ritos, apesar de que qualquer ação que pratique lhe deixa dúvida, obrigando-o a recomeçar do princípio.
Em geral, considera-se que a evolução do TOC é contínua, com períodos de melhora e outros de agravamento.Foram também constatados casos com uma evolução fásica, sendo necessário nestas situações realizar o diagnóstico diferencial com as depressões graves e associadas com idéias obsessivas. As estatísticas demonstram um baixo índice de recuperação, cerca de 30%, tornando o tratamento do TOC um desafio aos profissionais de saúde mental, exigindo do mesmo uma visão holística do transtorno e ao mesmo tempo ser criativo nas estratégias específicas para cada caso. A melhor indicação terapêutica é a associação psicofarmacologia e psicoterapia, além de outros recursos disponíveis dentro das equipes de saúde mental.
Finalizando, gostaria de deixar uma frase do personagem Melvin Udall, portador do TOC, que apesar do seu isolamento afetivo e social, conseguia colocar sua Anima no seu trabalho como escritor, famoso por se dedicar ao universo feminino;
perguntam a ele como consegue descrever tão bem as mulheres. A resposta é:
“ penso em um homem, e elimino qualquer traço de racionalidade e lógica dele”.
VIII- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
American Psychiatric Association; Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- DSM IV, pags.398-403, Editora Artes Médicas; Porto Alegre,1995.
Byington, Carlos Amadeu; A Perspectiva Simbólica do Espectro Obsessivo Compulsivo, Junguiana- SBPA, n*13- págs.90-119: São Paulo,1995.
Camus, Albert; O Mito de Sísifo-ensaio sobre o absurdo, Edição Livros do Brasil Lisboa; Portugal, 1957.
Hillman, James; Psicologia Arquetípica, Editora Cultrix- 9ª ed.; São Paulo,1997.
Hillman James; Encarando os Deuses,Editora Cultrix-Pensamento; São Paulo,1999.
Jung, Carl Gustav; Fundamentos de Psicologia Analítica, Obras Completas de Jung, Volume XVIII, Editora Vozes; Petrópolis,2004.
Meunier, Mário; Nova Mitologia Clássica-A Legenda Dourada, Editora Ibrasa; São Paulo,1976
Organização Mundial de Saúde; Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, pags.140-143, Editora Artes Médicas; Porto Alegre,1993.
Pellegrino, Hélio; Artigo Escuridão e Rutilância, Jornal Folha de São Paulo; São Paulo, 08/10/1986.