terça-feira, 7 de janeiro de 2025

あなたは誰ですか

 

私は誰?

簡単な質問。そして、簡単な答え。あなたはあなたであり、私は私です。しかし、この問いは、もう少し深く掘り下げてみると、さらに奥深い意味が込められています。
幼少期にはとても明確に見えます。「私は〇〇です」あるいは「〇〇さんの子供です」。
「あの人は誰?」
「彼は〇〇さんの息子だよ」とか、「彼は癌を患った人だよ」。

気づきますか、人を定義するのは難しいことではありません。実際、とても簡単です。その人に最も適していると思う特徴を割り当てれば、あっという間に新しい「人間の定義」が完成します。

しかし、本当に誰かを定義できるのでしょうか?
なぜ同じ人が異なる人々によってまったく異なる方法で定義されるのでしょうか?
その人が異なる環境で異なる行動を取るためでしょうか?


心理学はこの問いに100年以上も答えようとしてきました。
私たちを定義するものは何でしょう?私たちは誰なのでしょう?
数多くの理論家たちが、人間を定義するためのモデルを提案してきました。しかし、未だに理論家たちの間での合意はありません。


他人があなたを定義するのか?

他人に自分を定義させることは、一見すると不快に感じるかもしれません。
「どういうこと?あなたが私を知っているって?私の過去も、私の苦労も知らないくせに」

それは不公平だと思うかもしれません。しかし、最終的には楽なことでもあります。
自分の失敗について他人が話すなら、それを否定すればいいし、褒められたなら、それを受け入れればいいのです。

他人に自分を定義させるのは魅力的で快適です。なぜなら、それによって自分自身を内省する必要がなくなるからです。内省することは苦痛を伴います。不快に感じます。

ギリシャ神話の英雄ペルセウスを覚えていますか?彼は自分を見つめる代わりに、アテナの鏡の盾を使いました。
内省することは、メデューサを見つめるようなものです。それは自分の醜さを見ることです。


他人が正しいのか?

答えは明確に「いいえ」です。
どんなに分析的でも、どんなに鋭敏でも、他人が見ることができるのは、あなたが見せる一部分だけです。他人はあなたの考えや動機を知ることはできません。
そして、私たち自身さえ、自分の興味や動機を完全に理解しているわけではありません。


誰も「私」を知らない

他人も、そして自分自身も、自分が誰であるかを知ることができないのなら、私たちは一体何者なのでしょう?
これはアイデンティティの大きな危機を引き起こします。


確信のない時代

今日の世界は証拠と確信に満ちています。
しかし、皮肉なことに、人々はますます不安を感じ、恐れ、そして不幸です。

確信は進歩の敵です。歴史を振り返ると、すべての進歩は「もし…だったら」という問いから始まっています。


最後に

「私は誰か?」
その問いへの答えは決して簡単ではありません。しかし、その複雑さの中にこそ、私たちの存在の美しさがあるのかもしれません。


アーサー・シルヴァ・デ・ソウザ

Quem é você?

Quem sou eu?


Uma pergunta simples. e uma resposta simples. você é você e eu sou eu. mas ao mesmo tempo, está pergunta esta carregada de significados ainda mais profundos se olharmos mais de perto. na infância parece muito notório. sou fulano de tal. ou ainda, sou filho de fulano e cicrana. quem é ele? ahh, ele é o filho do Sr. Cicrano. ou, ele é aquele que teve câncer. notem que não é difícil definir alguém. na realidade é até bastante simples. basta você atribuir uma característica que você julgue que seja a mais apropriada para aquela pessoa e a mágica acontece. temos uma definição novinha em folha de mais um ser humano. mas será que realmente podemos definir alguém? porque será então que a mesma pessoa é definida de inúmeras maneiras distintas por grupos de pessoas diferentes? será que está pessoa manifesta um repertório comportamental diferente em ambientes diferentes e por isso ela é definida de maneiras diversas?

A psicologia tenta responder isso a mais de um século. o que nós define? quem somos? vários teóricos já propuseram modelos para que possamos estabelecer parâmetros de definições e dizer de uma vez por todos quem sou eu. mas não existe consenso entre os teóricos.



                    Você nunca mais vai olhar para o título dessa novela da mesma forma.


O outro te define?


Deixar que o outro te defina pode parecer a primeiro momento algo ruim. "como assim? você acha que me conhece? você não conhece a minha história, você não conhece as minhas lutas" pode parecer injusto, mas no fim das contas é cômodo. pois se forem os meus erros basta eu negar, e se forem elogios basta eu aceitar. mas em ambos os casos deixar os outros te definirem é sedutor, é confortável, pois quando o outro te define você não precisar olhar para dentro de si, você não precisa fazer uma introspecção. e como isso dói, como isso nos deixa desconfortáveis, pois ninguém quer olhar para a górgona, por isso usamos o escudo de Perseu. caso não lembre da história eis um breve resumo. Perseu um herói da mitologia grega que, destinado a derrotar Medusa, a górgona, encontra uma missão traiçoeira. Medusa, uma criatura com cobras no lugar dos cabelos, transformava em pedra quem ousasse olhar diretamente para ela.

Empurrado para essa jornada pelo rei Polidectes, que buscava se livrar dele, Perseu recebeu a ajuda divina. Os deuses lhe deram presentes poderosos: o escudo espelhado de Atena, as sandálias aladas de Hermes, a espada de Hades e uma bolsa mágica para carregar a cabeça de Medusa. Com o escudo como espelho, para não olhar diretamente para Medusa, Perseu conseguiu decapitá-la. E assim, a cabeça da górgona, ainda com o poder de petrificar, foi usada em suas futuras aventuras.

Olhar para dentro de si é olhar para Medusa, para a sua feiura, ninguém quer fazer isso. porque eu iria querer fazer isso? porque eu iria querer olhar para dentro de minha podridão. melhor o outro olhar no meu lugar, se eu gostar do que ele vê, ok. mas se não gostar eu repudio com veemência tudo o que foi observado. 

Obviamente o outro pode estar certo? e a resposta é um sonoro não. e explico o porquê. o outro por mais analítico que seja, por mais perspicaz que seja, por mais observador que seja, só pode ver uma fração de você, ele só pode ver parte de você, ele só pode ver aquilo que você mostra, ele não tem acesso aquilo que você pensa, as suas motivações, aquilo que move você. até mesmo você não tem certeza sobre seus próprios interesses, que dirá o outro? então, não. o outro não tem capacidades para dizer quem você é ou quem você não é.

Então temos um enorme problema. se o outro não sabe quem sou eu. e eu me recuso a conhecer-me. podemos então concluir que ninguém afinal de contas sabe quem sou eu. nem o outro e nem eu mesmo. e com isto temos uma grande crise de identidade. onde adultos, velhos, jovens não sabem quem são.

Não saber quem é se torna um dos grandes conflitos da humanidade. pois temos gerações e gerações inteiras vivendo ao acaso. não sabendo quem são. e quando alguém não sabe quem, não se domina, não se controla, não sabe onde vai e nem porque vai.


Não adianta saber, é preciso convencer o outro disso.


O mundo de hoje é o mundo das provas, das certezas, da ciência. nunca se teve tantas certezas quanto se tem hoje e ao mesmo tempo as pessoas vivem cada vez mais inseguras, com medo, ansiosas, infelizes.

Ouço com pavor as pessoas falando sobre tudo, tendo certezas sobre tudo, sabendo exatamente o certo e o errado. o mundo nunca foi tão dicotômico, nunca foi tão dualista. o cinza praticamente não existe mais. ou você é Marvel ou é DC. se for Marvel, não pode ser DC. e notem: DEFINIÇÕES. novamente elas aparecem. ou você é Lula ou Bolsonaro. se for um, não pode ser o outro. não existe mais espaço para o meio. 



          Tadinho do sorvete Napolitano. ele não é nem chocolate, nem morango, nem baunilha. ele não é.

A constante cobrança por se posicionar de um lado extremo ou outro, faz com que as pessoas tenham certezas. e quão prejudiciais são as certezas para a vida humana. a certeza é inimiga do progresso. basta ver que todos os avanços da humanidade se deram por questionamentos. e se...

No fim, as pessoas querem te rotular, dizer quem você pelo candidato que você votou, pelo filme que viu, pelo game que comprou, pela roupa que usa, e pasmem até por aqui que pensam. "como pode alguém saber o que o outro pensa". talvez seja um dos mistérios que eu jamais descobrirei. jamais vou conseguir entender certas coisas. porque o amor não é suficiente em um relacionamento? porque o mal parece sempre vencer? porque por mais boa intenção que você tenha, você falha e quem não se esforça prospera? eu tenho muitas duvidas, não tenho mais certeza de nada, ou melhor, tenho uma única certeza, que é a certeza de saber que jamais conseguirei as respostas que procuro.



By Arthur Silva de Souza