AS IRMÃS MOIRAS
Para alguém como eu, que adora "controlar", "planejar", "arquitetar", "programar" sua vida, a ideia do DESTINO é, não somente perigosa, como ameaçadora para toda uma vida, digamos que, organizada. existe uma teoria chamada de Efeito Borboleta (teoria do caos), essa teoria diz que cada ação sua, cada reação, gera um efeito que irá invariavelmente afetar a vida de outras pessoas e vice-versa. pense agora naquela faculdade que você escolheu. em todas as pessoas que conheceu. e se você tivesse escolhido outro curso? e se tivesse trancado o curso no meio? ou se tivesse faltado naquele exato dia em que se apaixonou por alguém?
As irmãs do destino na mitologia grega. Cloto, Láquesis e Átropos. elas "fiam" "puxam" e "cortam" o fio da vida. tá ai um nome bacana pra colocar nos cachorros. "passa láquesis, para de latir"
Alguns podem dizer, sim foi o destino eu escolher esse curso, conhecer fulano e fulana, me formar nessa profissão e ser "feliz". mas de uma maneira ou de outra observo inúmeras pessoas infelizes. praticamente tem tudo o que gostariam de ter, mas ainda assim são infelizes. mas então o que há de errado com essas pessoas? seriam as irmas moiras da mitologia grega reais, e sendo reais seriam elas tão cruéis a ponto de "destinar" a felicidade de uns e infelicidades de outros? obviamente que não. nossas escolhas nos definem, somos totalmente responsáveis por nossas escolhas. naturalmente o efeito borboleta tem uma parcela significativa do "efeito" de nossas escolhas. muito provavelmente o carro que você tem é o carro que "deu pra pagar" e não exatamente o carro que você queria. talvez a profissão que você tenha é a que "deu pra conseguir com a sua nota no vestibular" e não a que você sempre sonhou. partindo dessa premissa então ninguém nunca será feliz, é isso? seria então as nossas metas e objetivos sempre acima de nossas possibilidades?
EU QUIS E CONSEGUI E AGORA ME ARREPENDO!
Sempre tenho bastante receio em pedir algo. é provável que eu consiga. como assim Arthur? se você conseguiu, deveria estar feliz não é mesmo? a resposta é um sonoro "não necessariamente". diversos psicólogos concordam que a maturidade do homem/mulher só vem depois dos 30 anos, então pedir e ser atendido não é necessariamente algo bom. e se pedir errado, por não saber ainda o que é o melhor para mim? já vi muitas pessoas afundarem na vida financeira, familiar, pessoal, justamente por terem recebido o que queriam, mas não tinham maturidade para lidar com o que receberam. pessoas que queriam tanto um curso superior para ajudar a família e os amigos, e hoje não tem nem um nem outro, pois era exatamente o fato de não ter um curso superior que os unia. não estou afirmando com isso que ninguém deva ter um curso superior, pelo contrário. porém estou analisando que muitas das nossas escolhas nos levam a caminhos sem volta. toda escolha envolve perdas. Se escolho B, perco A. Se tenho A, mas estou infeliz e desejo C, perco A e B e ainda corro o risco de me arrepender por ter desejado errado.
Se eu soubesse que aquele passeio ao shopping mudaria tudo na minha vida, teria ido ao shopping muito antes! ou melhor, eu teria construído o shopping, ou nunca teria pisado naquele shopping.
Como uma simples escolha pode ter consequências tão devastadoras em nossas vidas. como o caso da moça que postou uma foto em sua rede social e com isso chamou atenção de um olheiro, logo em seguida recebeu proposta para ser modelo e hoje é garota de programa na Europa. pode parecer assustador mas é a verdade. toda ação, terá uma reação. querer é ótimo, ser atendido excelente, porém saber o que é melhor para si é para poucos.
NADA SEI DESSA VIDA, SIGO "VIVO" SEM SABER!
Bom seria se nós pudêssemos prever o futuro, prever as respostas das pessoas, suas reações, etc. bom seria... mas e se eu disser que na realidade isso é possível. diversos estudiosos do comportamento humano fazem isso todos os dias, e você nem se dá conta disso. utilizam mecanismos de indução do comportamento, manipulação, condicionamento e por aí vai. a melhor forma de prever um comportamento é "criar" um. claro isso exige muito planejamento e esforço por parte de cada um. e em uma sociedade que está cada vez mais "agitada", "corrida" e "sem tempo para nada", viver a vida de maneira plena tem se tornado um verdadeiro desafio. pense comigo, qual foi a ultima vez que você passou o dia inteiro sem ligar a TV? qual foi a ultima vez que você passou mais de 2 dias sem usar a internet? quanto tempo faz que você não tem uma conversa cara a cara por mais de 3 horas sem checar o celular pelo menos uma unica vez? se a sua resposta a essas perguntas é não, não se preocupe, você não está só. vivemos tão conectados com as telas, tv, computador, tablets, smartphones, etc. que nos esquecemos do outro, nos esquecemos de conhecer o outro. eis os motivos das relações interpessoais estarem em ruínas nesse século.
nada sei dessa vida... sigo sem saber.... nunca soube, nada saberei.... "pelo menos ela sabe a letra da música."
As pessoas não se conhecem mais, apenas "virtualmente". filhos não conhecem os pais, pais não sabem quem são seus filhos, maridos não conhecem suas esposas, namoradas não sabem nem com quem é o cara com quem namoram. e por fim gostaria de falar do filme Serendipity com um dos meus atores preferidos John Cusack. no filme ele conhece o grande amor da sua vida por acaso em uma loja comprando artigos para o natal, acontece que a moça acredita no destino e diz a ele que se eles realmente forem feitos um para o outro o destino vai dar um jeito de uni-los novamente (maneira genial de dar um fora em alguém não é mesmo?), não vou contar o filme inteiro aqui, caso alguém queira ver o filme depois (o nome em português é "escrito nas estrelas"). pois bem a ideia do Serendipity é essa, algo sensacional acontece na sua vida, por pura sorte (moiras, destino, como queira chamar). não tenho certeza se o destino é real, se minha vida já está escrita, se todo o que eu posso fazer é "aceitar" ou assistir. gosto de pensar que tenho o poder para mudar. talvez a felicidade seja isso, não algo que você alcança e sim a jornada a busca. se serei feliz ou não isso é algo que não sei responder, mas que busco a felicidade, isso sem duvida, talvez ela já tenha dado um Oi e eu ainda não percebi, ou talvez ela ainda esteja caminhando em minha direção, devagar, lentamente para não assustar. ou talvez ela já tenha passado por mim e eu a deixei escapar. ou talvez ela esteja bem na minha frente e não me dei conta, ou ainda a felicidade está se afastando de mim e eu devo impedir que isso ocorra. não sei... não sei... não sei... não sei... só sei que viverei o hoje e que hoje quero ser feliz.
By Arthur Silva de Souza


