domingo, 17 de janeiro de 2016

Serendipity

Quando criança minha mãe colecionava diversos livros de estórias. em sua maioria românticas, não me lembro mais do nome dos livros, mas sei (ou acho que sei) que faziam sucesso na década de 80, ou talvez até de antes, já que o "paz e amor", é da década anterior. bem, me lembro de ficar folheando esses livros e não entender muita coisa. afinal era criança. quando cresci um pouco tentei até ler um desses livros, mas não entendi muita coisa e logo abandonei. mas tem uma história/desabafo que eu li e nunca esqueci. parece um misto de desabafo com reflexão. eis o relato abaixo da forma como me lembro.


"Somos feitos de escolhas. desde o nascimento escolhas fazem parte de nossa vida. nossos pais escolheram nos ter. escolheram o hospital em que nascemos, escolheram o berço, escolheram a escola. escolheram nos amar, ou não. a medida que crescemos nos deparamos com escolhas que nos mesmo teremos que fazer e é aí que a vida começa a ficar interessante. escolher não é fácil. nunca sabemos se a escolha que estamos fazendo é a correta. não há como voltar atrás, não há segunda chance. e se escolhermos errado? quando atingimos 12 anos, começa a puberdade, e com ela o sentimento pelo sexo oposto. e são essas as escolham que mais nos afetam, que mais machuca, que dói, que faz você querer desaparecer do mundo. são essas escolhas que fazem você querer inventar a máquina do tempo, para mudar o seu destino. mas afinal, existe o destino? será que nossa vida já está predefinida, não podemos fazer nada? os gregos chamam Moiras ao Destino. e na mitologia grega nem os deuses podiam escapar ao destino. se nem os deuses conseguem escapar, o que dirá de nos, reles humanos. muitas não se importam, muitas não ligam para as escolhas que fazem. simplesmente nem pensam no assunto, nem pensam nas consequências de cada uma de suas ações. mas há aqueles que isso importa muito, o peso de cada escolha é tremendo. decidir um futuro, uma vida. a aqueles que sentem como ninguém cada uma de suas ações. com quem ficar? com quem perder sua virgindade? com quem casar? com quem ter filhos? ela é a certa para mim? eu sou o certo para ela? ela vai me fazer feliz? eu vou fazer ela feliz? eu a amo? ela me ama? e se não amar? como voltar atras? como voltar no tempo? como não sofrer? como não se importar? são respostas que eu não tenho. sempre acreditei que sabia tudo. mas a verdade é que não sei. sempre achei que era diferente. mas não sou. meus medos são os medos universais. os medos que todos tem. um coração apaixonado, preso a uma máscara de fortaleza, onde quem olha acha que vê confiança, alguém que não se abate com nada, que tem resposta pra tudo. não é isso que sempre disseram? "você tem resposta pra tudo". na realidade não tenho. não tenho respostas para as perguntas que mais me assolam, não sei como agir... se soubesse evitaria todo o sofrimento que EU mesmo causei a mim mesmo, com minhas escolhas erradas. ninguém decidiu por mim. sou totalmente responsável por cada uma de minhas escolhas. quão saudade tenho dos 12 anos. a idade de meu personagem, da personagem com a qual me identifiquei, Peter Pan. ele não cresce, está no auge. eu estava no auge! mas tive que crescer. não consegui manter o suprassumo de minha inteligencia. alguns podem dizer "Síndrome de Peter Pan", talvez! talvez não. talvez melanos kolos. ou como diria Sir. Arthur Conan Doyle ao escrever sobre Sherlock Holmes "quando todas as soluções forem descartadas como possíveis, a resposta correta é a mais obvia." talvez seja o mais obvio. simplesmente um romântico inveterado." 

14 de Novembro de 1997 ás 17:35 em uma tarde com chuva fraca de uma sexta feira



By Arthur Silva de Souza